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Montadoras prevêem 2007 recorde
Lana Pinheiro
Do Diário do Grande ABC
Nem melhor, nem pior. 2007 deve ser igual a 2006
tanto em aspectos macroeconômicos como para a indústria automotiva. Esse foi o
tom das palestras de diversos consultores, produtores de insumos e de
componentes, e de dirigentes das montadoras reunidos segunda-feira no seminário
Setor Automotivo: Perspectivas 2007 realizado pela AutoData Editora em São
Paulo.
Em números, isso significa dizer que o PIB nacional
crescerá de 3,5% a 4%, que a inflação deve ficar exatamente dentro da mesma
variação – 3,5% a 4% –, que a Selic pode fechar o próximo ano em 11%, na visão
mais otimista, e em 13%, na mais pessimista, e que o mercado interno deve bater
o recorde de vendas com cerca de 2 a 2,5 milhões de veículos.
Apesar da marca inédita, tanto o presidente da
Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Rogelio
Golfarb, quanto os empresários enxergam o volume esperado com certa parcimônia.
Afinal, o último recorde registrado foi em 1997, o que significa que a indústria
levou 10 anos para voltar ao patamar de 2 milhões de unidades. "O contexto é
muito diferente. Os 2 milhões de 2007 não têm o mesmo peso que tinha em 1997.
Poderíamos estar em outro patamar.".
Ainda assim, o setor tenta trabalhar com otimismo e
com discurso alinhado, tanto nas projeções quanto nas reivindicações por juros
menores, revisão da carga tributária, altos custos produtivos. Condições, que
segundo os representantes da Ford, Fiat, GM e Volks, precisam ser rapidamente
equacionados para que o crescimento da indústria seja duradouro.
Para Letícia Costa, presidente da consultoria Booz
Allen Hamilton do Brasil, a confluência nos discursos têm motivos de ser.
Segundo ela, o crescimento das vendas de automóveis no Brasil está associados a
três fatores que são levados em conta na hora de traçar as perspectivas: renda
per capita, elasticidade de preço e renovação da frota.
A começar pela renda per capta, o mercado interno
só teria uma explosão de vendas se houvesse uma melhora significativa da renda
da população.
Não é este o caso. "No Brasil, a renda cresce de
maneira progressiva e gradual, ritmo que determina a evolução da indústria",
explica Letícia Costa. Para ela, 60% do crescimento do setor automotivo estão
relacionados ao PIB. "Em outras palavras, 60% da evolução que estamos
presenciando nas vendas de automóveis no Brasil é explicada pelo crescimento da
economia do país. Os outros 40% estão relacionados a motivos diversos." No
passado essa correlação já foi maior, atingindo 70%.
"O financiamento diminuiu a dependência que o setor
tinha com relação ao PIB. Infelizmente, o aumento das vendas hoje não representa
uma melhora da renda per capta do brasileiro", diz Letícia.
O financiamento também entra na análise da
elasticidade do preço. Segundo estudos da consultora, para cada 1% de queda nos
preços, a demanda cresce 3%. Só que os juros abaixo do mercado oferecidos pelas
montadoras e o prazo estendido em até 72 meses serviram como impulsionador das
compras, mesmo com alguma alta nos preços. Como em 2007 o crédito continuará
abundante e os prazos continuarão longos, as condições para que a indústria
continue crescendo estão dadas.
O terceiro determinante é a renovação de frota. A
velha batalha pela inspeção veicular no Brasil continua empacada na gaveta de
políticos, mas uma boa parte da frota brasileira dos flex.
"O custo/benefício de um carro novo, com essa
tecnologia, fez muita gente trocar o veículo que estava na garagem e ainda há
espaço para essa substituição". Assim, a idade média da frota brasileira hoje
esta em 9,4 anos, muito similar ao dos EUA que é de 9 anos.
A conjunção da renovação da frota, renda per capta
e elasticidade de preço, portanto, impulsionarão as vendas internas no ano que
vem que, por sua vez, devem puxar a produção. As exportações devem mais uma vez
cair em unidades devido ao alto custo produtivo do Brasil aliado ao dólar
desvalorizado.
Setor formula plano de ação para novo
presidente
Lana Pinheiro
Do Diário do Grande ABC
As eleições presidenciais só serão decididas no
próximo dia 29, mas a Anfavea já trabalha um documento a ser entregue para o
novo presidente com um cenário detalhado da indústria e suas principais
reivindicações para curto, médio e longo prazos.
Dentre os tópicos abordados estão as necessidades
da revisão da alta carga tributária incidente na cadeia produtiva e de um
crescimento mais vigoroso do país, a renovação de frota e o alinhamento
comercial com a Argentina.
O documento, avisa Rogelio Golfarb, presidente da
entidade, não visa saída emergencial, e sim um plano para possibilitar a
indústria utilizar da melhor maneira possível a capacidade instalada de 3,5
milhões de veículos gerando um crescimento sustentado.
Redução temporária de impostos, como feito no
passado com o IPI, está descartada.
"É preciso crescer sem ameaçar a estabilidade
econômica já conseguida. Não dá para, simplesmente, diminuir a receita do
Estado. É preciso fazer um ajuste fiscal controlando gastos públicos e
repensando a questão previdenciária", explicou Golfarb, adicionando que o baixo
crescimento econômico é um gargalo para a indústria.
Frota – Quanto à renovação da frota, os cuidados
com a proposta se repetem. "Não dá para renovar a frota de uma hora para outra.
Temos que começar a trabalhar a inspeção veicular e redimensionar os impostos
que recaem sobre a compra e o uso do veículo".
Para Golfarb, hoje os impostos são muito mais
pesados na hora da compra do veículo, inibindo a demanda. Uma saída seria
distribuir a arrecadação durante o uso do bem pelo consumidor.Fonte: Diário do Grande ABC
No Canadá, clima de apreensão
entre os operários
Para os operários da Inco, o anúncio que a direção
da empresa deve fazer na manhã desta terça-feira não provoca mais expectativa.
Para a comunidade mineira de Sudbury, no leste de Ontário, onde estão sediadas
as maiores operações de mineração da Inco, a compra da empresa pela Companhia
Vale do Rio Doce há tempos já é dada como concluída. O que gera incerteza e
receio é o futuro da tradicional mineradora canadense sob o controle da gigante
brasileira.
"O que nos inquieta é a perspectiva de passar para
as mãos de uma multinacional dessa proporção gigantesca, que já teve problemas
ambientais e sociais em seu próprio território", diz Dan O’Reilly, 57 anos,
coordenador do Sindicato dos Operários Siderúrgicos do leste de Ontário. "A vida
da população de Sudbury nos últimos anos foi pautada pelas duas mineradoras
locais, a Falconbridge e a Inco. E neste ano, de repente, as duas são engolidas
por dois gigantes multinacionais. É difícil avaliar o impacto que isso vai ter a
longo prazo para a comunidade."
O’Reilly faz alusão à compra da Falconbridge pela
companhia anglo-suíça Xstrata, em agosto. "Assim que assumiu o controle da
Falconbridge, a nova direção substituiu todos os logotipos e letreiros originais
pelo da Xstrata. A mensagem foi clara: agora que manda somos nós. Vamos ver o
que acontece com a Inco agora", diz.
Embora a Vale já tenha afirmado que vai manter a
marca Inco, pelo menos por enquanto, isso não tranqüiliza os sindicalistas, que
já tomaram uma série de medidas para proteger os trabalhadores e a comunidade
local. Em setembro passado, uma delegação liderada por O’Reilly esteve no
Brasil, onde se reuniu com vários grupos de sindicalistas que representam os
trabalhadores da Companhia Vale do Rio Doce.
As reuniões foram organizadas pela CUT, que também
promoveu uma viagem de inspeção às minas da empresa no Brasil. Durante a visita
de quatro dias, os canadenses se encontraram com ativistas sociais e ambientais
dessas regiões e representantes das comunidades locais.
De volta ao Canadá, o grupo formatou os termos de
um acordo que foi submetido e aceito pela Vale. Segundo esse acordo, a empresa
se compromete a não demitir ninguém nos próximos três anos e a manter pelo menos
85% do atual número de cargos. Além disso, a Vale também se compromete a
incentivar uma série de programa sociais e a preservar o meio ambiente. "É uma
pequena garantia, que funciona a curto prazo, mas não sabemos o que vai se
passar daqui para a frente", diz O’Reilly. Fonte: Agência Estado Fonte: Tribuna da Imprensa
Mulheres representam 10% da força de trabalho
na indústria naval fluminense
As mulheres já representam 10% da força de trabalho
nos estaleiros do de Niterói e São Gonçalo, municípios da Região Metropolitana
do Rio de Janeiro.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí
estima que, dos 16 mil trabalhadores em atividade na indústria naval, mais de
mil são do sexo feminino, atuando em diversas especialidades, como projetistas,
soldadoras, eletricistas ou instrumentistas.
Segundo o diretor de
Finanças do sindicato, Edson Carlos Rocha, as mulheres trabalhavam nas áreas
técnicas de estrutura e máquinas navais, executando projetos e delineamentos de
navios, mas há cinco anos começaram a se ocupar de outras
atividades.
"Hoje em dia, além dessa área, [a presença feminina] tem
aumentado bastante na área de soldadores, porque existe a solda tig, que
necessita um pouco mais de habilidade manual e é um pouco mais sensível. As
mulheres têm respondido muito bem nessa área. A inspeção de solda, também estão
começando a fazer e a disputar esse espaço com os homens", afirmou
Rocha.
O sindicato vêm trabalhando para aumentar a formação de mulheres
nos cursos de capacitação que promove. Atualmente, 10% dos alunos são mulheres,
mas meta é chegar a 30%. No ano passado, o curso de pintura naval foi o mais
procurado pelas mulheres, e 30 profissionais já estão empregadas nos estaleiros
de Niterói e de Angra dos Reis.
O sindicato vai oferecer em breve novos
cursos de capacitação para pessoas cadastradas no banco de dados da entidade.
Inicialmente, a formação se destinará ao preenchimento de 750 novas vagas no
setor, mas, até o final deste ano, com a ampliação do mercado, o número de vagas
subirá para 1.588, e o sindicato promoverá outros cursos, sem distinção de sexo,
com recursos do Plano Setorial de Qualificação Profissional, desenvolvido pelo
Ministério do Trabalho e Emprego.
De acordo com estimativa do Sindicato
dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí, até o final de 2007, a indústria naval
vai abrir mais de três mil vagas, número que poderá subir para cinco mil até o
primeiro semestre de 2008. (Agência Brasil)
Brasileira CSN trama para cobrir
oferta pela Corus
O grupo alemão Thyssen Krupp e o grupo siderúrgico
russo Severstal também estariam estudando propostas
SÃO PAULO - O agressivo grupo siderúrgico
brasileiro CSN indicou o Lazards, banco de investimentos de primeira linha, como
consultor sobre sua intenção de entrar na operação de compra do controle
acionário da Corus pela Tata Steel por 5,1 bilhões de libras (U$ 9,6
bilhões).
Na outra ponta, segundo informou hoje a edição do
The Sunday Times, também há a gigante siderúrgica alemã Thyssen Krupp
interessada pela compra, cujo valor de mercado ronda os 9,4 bilhões de libras
(U$ 17,6 bilhões). Neste negócio, outro interessado foi o grupo siderúrgico
russo Severstal. Contudo, devido ao seu interesse em abrir seu capital em
Londres, o grupo acabou demonstrando menos interesse na semana
passada.
A Tata quase certamente se afastará do negócio se
acontecer uma guerra de propostas. A companhia indiana está oferecendo 455 pence
(U$ 0,856 ) por ação pelo grupo siderúrgico anglo-holandês Corus, que inclui as
operações remanescentes da British Steel. Incluindo a dívida da Corus, o acordo
vale 5,1 bilhões de libras (U$ 9,6 bilhões).
Na sexta-feira, as ações da Corus continuavam sendo
negociadas acima do preço de oferta, sugerindo que os investidores consideram
provável uma proposta concorrente. Elas fecharam em 473 pence (U$
0,890).
Especulações
As especulações foram provocadas por comentários da
Standard Life, que, com uma participação de 8% é a maior acionista individual da
Corus. A Standard Life disse: "A oferta da Tata pela Corus é mais baixa do que
esperaríamos que o conselho da Corus aceitasse e recomendasse."
Mas qualquer oferta rival enfrentará um duro
obstáculo na forma dos gestores de fundos de pensão da Corus. Os administradores
dos dois principais esquemas da Corus, que têm ativos - e obrigações futuras -
de 13 bilhões de libras (U$ 24,5 bilhões) mais de duas vezes o valor da
companhia, concordaram em apoiar a oferta da Tata.
Executivos da Corus disseram privadamente que os
gestores ficariam mais contentes com um acordo com a Tata, que tem uma reputação
de empregadora benevolente, do que com uma concorrente rival. Uma nova
concorrente também teria que arcar com uma multa de ruptura acertada como parte
do acordo Tata-Corus. Fonte: O Estado de
S.Paulo
Ford : na América do Sul, montadora obtém lucro pelo 11º
trimestre consecutivo
Patrícia Nakamura Na contramão das
operações mundiais, a Ford alcançou lucratividade na América do Sul pelo décimo
primeiro trimestre consecutivo, graças ao aumento das vendas internas,
principalmente no Brasil e na Argentina. O resultado operacional da montadora na
região alcançou US$ 222 milhões, ante os US$ 96 milhões obtidos no mesmo período
do ano passado. De acordo com estimativas de mercado, o Brasil representa cerca
de 70% dos lucros da montadora na região.
O resultado trimestral é quase igual ao lucro
acumulado durante os primeiros seis meses do ano, que foi de US$ 229 milhões.
A receita da Ford entre julho e setembro saltou de
US$ 1,2 bilhão para US$ 1,5 bilhão neste ano. As vendas subiram de 88 mil
unidades para 101 mil unidades. Pelas estimativas da montadora, a Ford mantém
11,5% de participação de mercado nos seis principais países da região.
Mesmo com os bons resultados, a crise vivida pela
matriz atravanca a expansão na montadora na América do Sul. A fábrica de
Camaçari (BA), onde é produzido o EcoSport e que foi o propulsor para a retomada
dos lucro na região após dez anos de prejuízos, desde o fim da Autolatina (a
frustrada união com a alemã Volkswagen no país), não deve receber novos
investimentos a médio prazo. Mesmo operando no limite de sua capacidade.
Barry Engle, presidente da montadora para América
do Sul, adiantou que apenas a unidade de São Bernardo do Campo (SP) deverá
contar com aportes de US$ 300 milhões entre 2007 e 2008 para abrigar a produção
de um novo modelo compacto.
"As taxas de juros baixas facilitam a compra de
carros novos", afirmou recentemente o executivo. As vendas internas no Brasil
devem alcançar esse ano aproximadamente 223 mil unidades, patamar que deve ficar
estável em 2007. Por conta da valorização do real, as exportações da unidade
brasileira devem responder por 40% de sua produção (135 mil unidades) contra os
43% no ano passado (perto de 140 mil unidades). Fonte: Valor
Este Grupo de Discussões é parte da estrutura do Laboratório Industrial
Sindical Mercosul - União Européia, uma iniciativa dos sindicatos metalúrgicos
do Cone Sul e da Europa. O comitê sindical de direção do Laboratório está a
cargo da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT) e da Federación Minero
Metalúrgica (FM-CCOO).
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