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OMC abre painel contra a China
devido a tarifas sobre autopeças
da Folha Online
A OMC (Organização Mundial do Comércio) abriu nesta
quinta-feira o primeiro painel sobre as práticas comerciais da China, para
investigar as tarifas impostas pelo país sobre as importações de
autopeças.
A queixa de que as tarifas seriam ilegais segundo
as regras da OMC foi feita primeiro pelos EUA, pelo Canadá e pela União Européia
(UE). O pedido de painel foi bloqueado pela China no mês passado, mas, pelas
regras da organização o painel é aberto automaticamente se a solicitação for
solicitada pela segunda vez.
Os três países acusam o governo chinês de aplicar
às peças importadas uma tarifa aplicada à importação de carros em regime de CKD
(completamente desmontado, em inglês), que pode passar de 60% do valor do
veículo acabado.
"Essa medida desestimula os fabricantes na China a
usarem peças importadas na montagem de veículos novos", disse o negociador dos
EUA David Shark ao Órgão de Solução de Disputas (OSD) da OMC.
O governo chinês diz, por sua vez, que as tarifas
pretendem coibir a importação de CKDs em grandes quantidades para evitar um
aumento de tarifas sobre os veículos acabados, mas os EUA e a UE alegaram que a
China prometeu não tratar autopeças como CKDs quando entrou na OMC em
2001.
Os representantes da China na OMC mostraram
desapontamento, por terem os reclamantes ignoraram os argumentos e a boa-fé para
resolver essa disputa através de consultas e decidiram pedir a abertura do
painel.
Os EUA e a China tiveram uma disputa antes, sobre
semicondutores, mas que foi resolvida na fase de consultas --evitando assim um
painel.
Os fabricantes europeus de automóveis têm entre 20%
e 25% de sua produção na China e os EUA exportaram no ano passado cerca de US$
681 milhões em autopeças para o país asiático. O Canadá, por sua vez, exportou
em média US$ 256 milhões em autopeças para a China entre 2003 e 2005.
O déficit comercial dos EUA com a China atingiu US$
202 bilhões no ano passado, maior já registrado pelo governo americano no
comércio com um único país. O déficit da UE com a China no mesmo período também
atingiu patamar elevado, ficando em US$ 128 bilhões. Com agências internacionais Fonte: Folha de
S.Paulo
Taxa de desemprego cai para 10%,
diz IBGE
A taxa de desemprego apurada pelo IBGE nas seis
principais regiões metropolitanas do País ficou em 10% em setembro, ante 10,6%
em agosto. A taxa de setembro de 2005 tinha sido de 9,6%. O resultado apurado em
setembro deste ano é o menor desde janeiro. O número de pessoas ocupadas chegou
a 20,69 milhões, crescendo 1,2% ante agosto e 3,1% ante setembro de 2005,
enquanto a população desocupada totalizou 2,29 milhões de pessoas, com queda de
5,3% ante agosto e aumento de 7,1% ante setembro de 2005.
O rendimento médio real dos ocupados nas seis
principais regiões metropolitanas do País ficou em R$ 1.030,20 em setembro, com
queda de 0,8% ante agosto, segundo o IBGE. Na comparação com setembro de 2005,
houve aumento de 2,7% na renda. Em termos regionais, a menor taxa de desemprego
apurada pelo IBGE em setembro foi no Rio de Janeiro, com 7,5%, enquanto a maior
taxa entre as seis regiões metropolitanas foi registrada em Salvador, com
13,6%.
Em São Paulo, onde estão cerca de 40% dos ocupados
nas seis regiões, a taxa foi de 11,1%, menor do que a apurada em agosto, que
chegou a 11,6%. Fonte: Tribuna da Imprensa
Brasil e Argentina sem acordo
sobre eletrodomésticos
BUENOS AIRES - Após dois dias de reunião, os
fabricantes brasileiros e argentinos de eletrodomésticos não chegaram a um
acordo sobre o comércio bilateral do setor. A falta de consenso poderá provocar
novo atrito comercial entre a Argentina e o Brasil.
Diante da recusa da indústria brasileira em aceitar
os acordos restritivos, os empresários argentinos sinalizaram com a
possibilidade de incluir os fogões e refrigeradores na regulamentação de
Licenças Não-Automáticas (LNA) e mostraram disposição de solicitar a abertura de
investigações anti-dumping.
O presidente da Associação Nacional de Fabricantes
de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, por sua vez, defendeu como
alternativa para resolver o problema: a utilização, pela primeira vez, do
Mecanismo de Adaptação Competitiva. "O setor entende que denúncias ou uso de
mecanismos de adaptação competitiva estão disponíveis para os empresários
identificarem se há ou não práticas irregulares de mercado, e, nesse caso,
estamos tranqüilos", afirma Saab.
A Eletros divulgou nota oficial na qual reitera "a
decisão de não negociar novos acordos de restrição voluntária de exportação de
refrigeradores, fogões e lavadoras de roupa para o país vizinho". A posição da
Eletros, ratificada pelo governo brasileiro, que também participou dos encontros
em Buenos Aires, foi comunicada à Federação Argentina de Produtos para o Lar
(Fedehogar).
"Os acordos voluntários restritivos, assinados em
2004 e que vigoraram até este ano, foram decorrentes da crise econômica da
Argentina em 2002, mas o setor eletroeletrônico brasileiro nunca propôs que
essas restrições fossem mantidas como uma solução para as assimetrias alegadas
pela indústria da Argentina", explica Saab. Segundo ele, em face do crescimento
do mercado argentino e das condições econômicas e tributárias daquele país, não
há justificativa para que se dê continuidade aos acordos voluntários
restritivos.
O presidente da Fedehogar, Hugo Ganin, insistiu em
argumentar que "as importações do Brasil têm crescido muito", o que representa
uma ameaça para a indústria argentina devido "aos enormes subsídios concedidos
pelo governo brasileiro". A acusação do empresário argentino foi refutada pelos
fabricantes brasileiros de refrigeradores e fogões. "As indústrias argentinas
alegam condições desiguais de competitividade geradas por subsídios, mas esses
subsídios não existem", sustenta Saab.
Ele destaca que, no encontro, "as alegações da
Argentina foram refutadas com veemência pelo próprio governo brasileiro, que
participou através do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior". Em contrapartida, a percepção é
a de que "o governo argentino está amparando essa posição da indústria local",
observa Saab.
A Eletros também ressalta que "em 2004, a Argentina
impôs restrições à entrada do produto brasileiro e agora, no mercado de
refrigeradores, deseja que a participação do Brasil fique entre 28% e 30% das
vendas locais - patamar semelhante ao registrado em 1998". Fonte: Tribuna da Imprensa
Mantega diz que ata do Copom
sinaliza que a economia está sólida
Do Diário OnLine
Com Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que
está "muito satisfeito" com a ata do Copom (Comitê de Política Monetária)
divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central, que "sinaliza que a economia
brasileira está sólida e que a inflação está caminhando num patamar
baixo".
A ata diz que a manutenção da inflação abaixo de
4,5%, e a consolidação de um "cenário de estabilidade macroeconômica duradoura"
possibilitaram a redução da taxa básica de juros de 14,25% ao ano para 13,75% ao
ano na última reunião do Copom.
Na interpretação do ministro, a ata demonstra que a
inflação estará sob controle não apenas em 2006, como também em 2007 e no longo
prazo.
"Esta é a boa notícia. Precisamos de uma inflação
estável de longo prazo, porque isso nos permite fazer uma política monetária
mais flexível, que vai garantir o crescimento econômico mais sólido",
assinalou.
Segundo Mantega, a ata reflete os dados do momento
econômico em que, mesmo em meio à campanha eleitoral, o quadro econômico
permanece sólido. "Uma campanha presidencial sempre traz algum nervosismo ao
nível político e ela não influenciou em absolutamente nada a situação econômica
do país", disse, ressaltando que o risco país encontra-se no mais baixo nível de
todo os tempos e as taxas de juros estão caindo.
"Como ministro da Fazenda fico muito satisfeito de
ver que o Brasil conseguiu atingir este patamar de estabilidade econômica, de
tranqüilidade".
O ministro não quis arriscar um palpite sobre o
valor da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Copom, marcada para
os dias 28 e 29 de novembro, mas deu a entender que haverá nova redução. "Sou
muito otimista em relação a isso". Fonte: Diário do Grande
ABC
Multinacionais
brasileiras
Antonio Corrêa de Lacerda
O título acima parece contraditório. Se
multinacionais são empresas, como o próprio nome diz, de vários países, como
poderiam ser brasileiras? O correto seria afirmar multinacionais de origem
brasileira. Ou, empresas brasileiras de atuação multinacionais.
A nova divisão internacional do trabalho é cada vez
mais determinada pelas estratégias das empresas multinacionais, ou
transnacionais. São empresas que geram grande parte das receitas em operações
fora do seu país de origem. Essa é uma tendência que cresceu no bojo da
globalização das últimas décadas do Século XX.
Dois aspectos principais chamam a atenção no
recente Relatório Mundial de Investimentos da UNCTAD (Conferência das Nações
Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), recentemente divulgado. O primeiro é
que os investimentos diretos estrangeiros (IDE´s) globais estão em franca
recuperação e cresceram 28,9% em termos nominais em 2005. O segundo aspecto é o
crescimento dos investimentos Sul-Sul, entre países em desenvolvimento.
Tradicionalmente a internacionalização das
operações dos grandes conglomerados globais se dava na direção Norte-Sul. Desde
a década de 1970, as empresas européias, norte-americanas e japonesas expandiam
suas operações e isso representava um choque de competitividade nas economias em
desenvolvimento. Mais recentemente, na última década, cresceram bastante os
investimentos no exterior realizados por empresas oriundas de países em
desenvolvimento. O estoque de investimentos diretos estrangeiros feitos por
essas empresas subiu quase dez vezes entre 1990 e 2005, saindo de US$ 147
bilhões para US$ 1,4 trilhão.
O Brasil, que há dez anos se coloca entre os cinco
principais paises em desenvolvimento absorvedores de investimentos diretos
estrangeiros, também tem posição de destaque entre os maiores investidores no
exterior. Petrobras, Vale do Rio Doce e Gerdau são empresas brasileiras que
aparecem no ranking das 50 maiores entre os países em desenvolvimento. Mas há
muitas outras, igualmente bem sucedidas, como Alpargatas, Weg, Marcopolo, Sadia,
Perdigão, etc.
O estoque de investimentos diretos brasileiros no
exterior atingiu US$ 71,5 bilhões em 2005. Isso nos coloca em sexto lugar no
ranking, após Hong Kong, com US$ 470 bilhões, Ilhas Virgens Britânicas, US$ 123
bilhões, Rússia US$ 120 bilhões, Cingapura, US$ 111 bilhões e Taiwan, US$ 97
bilhões.
Estoque de Investimentos Diretos
Estrangeiros realizados por Países em Desenvolvimento
| Ranking |
2005
(US$ bi.) |
| 1 Hong Kong
|
470 |
| 2 Ilhas Virgens
Britânicas |
123 |
| 3 Federação
Russa |
120 |
| 4 Cingapura |
111 |
| 5 Taiwan |
97 |
| 6 Brasil |
72 |
| 7 China |
46 |
| 8 Malásia |
44 |
| 9 África do
Sul |
39
|
| 10 Coréia do
Sul |
36 |
| 11 Ilhas
Caiman |
34 |
| 12 México |
28 |
| 13
Argentina |
23 |
| 14 Chile |
21 |
| 15
Indonésia |
14
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Nº de países em desenvolvimento e transição 1.400
Fonte: UNCTAD, elaboração do autor
O que isso representa para o Brasil? Como tudo em
economia, há aspectos positivos, mas também negativos no processo. Os positivos
estão associados à maior robustez das empresas brasileiras, que adotaram
estratégias ativas de inserção internacional por meio não apenas da exportação,
mas da instalação de filiais no exterior. As vantagens estão associadas ao maior
acesso ao mercado internacional de capitais, maior presença local nas várias
regiões do mundo, superando barreiras tarifárias e não tarifárias. Adotando
estratégias ativas de crescimento deixam de ser alvo fácil de uma eventual
aquisição por parte de um grande concorrente global.
No entanto, no caso brasileiro, o que também tem
ocorrido é que devido à falta de condições mais favoráveis de competitividade,
muitas empresas estão transferindo para o exterior suas operações. Fatores
importantíssimos para a empresa competir em escala global, especialmente juros,
financiamento, carga tributária, questões regulatórias, entraves burocráticos, e
mais recentemente câmbio valorizado, têm inviabilizado a produção e exportação.
São os mesmos fatores que afetam negativamente as decisões de investimentos
externos no País. Isso provoca impactos negativos sobre as estruturas
industriais, a cadeia de fornecedores, o emprego, a renda e o potencial de
exportações, especialmente aquelas de maior valor agregado.
Há, portanto, uma diferença entre o movimento
estrutural de internacionalização de empresas brasileiras, que de forma ativa
ampliam sua atuação no exterior e a estratégia defensiva de empresas, que
transferiram sua produção para outros países, em busca de condições mais
favoráveis de competitividade. O primeiro movimento é agregador, o segundo, é
substitutivo!
Como os fatores negativos podem ser
revertidos, ao mesmo tempo em que os positivos podem ser potencializados, o
futuro vai depender as estratégias adotadas. Isso vale, não só para as empresas,
agentes importantes, mas também e principalmente para políticas públicas que
venham a favorecer as condições para os investimentos de fora para dentro e de
dentro para fora do País.Antonio Corrêa de Lacerda é
professor de economia da PUC-SP e doutor pela Unicamp. Fale
com Antonio Corrêa de Lacerda: alacerda@terra.com.br Fonte: Terra Magazine
Este Grupo de Discussões é parte da estrutura do Laboratório Industrial
Sindical Mercosul - União Européia, uma iniciativa dos sindicatos metalúrgicos
do Cone Sul e da Europa. O comitê sindical de direção do Laboratório está a
cargo da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT) e da Federación Minero
Metalúrgica (FM-CCOO).
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